
Muitas vezes, pensamos que design é apenas “deixar bonito” — colorir, embelezar. E sim, a estética é importante, mas essa visão é incompleta e limitada. Para mim, design é uma ferramenta poderosa de comunicação visual estratégica. É ele quem organiza informações, direciona o olhar, estrutura hierarquias e transmite os valores da sua marca.
Neste artigo, quero ir além do “bonito” e te mostrar, com um caso prático, como um bom design pode resolver falhas reais na comunicação. Vamos desvendar juntos como a teoria se aplica na prática, usando os princípios de design de Robin Williams e as bases da arquitetura da informação.
Para ilustrar esses princípios, utilizo elementos da minha própria identidade visual, onde tenho controle total das decisões.
Com a ascensão das plataformas “faça você mesmo”, a ideia de que qualquer um pode criar peças gráficas de forma fácil e rápida se popularizou. E, claro, somos capazes de aprender o que quisermos, com empenho e dedicação. Mas, assim como em qualquer profissão, o design exige estudo, esforço e aprendizado contínuo. Não é algo que acontece da noite para o dia.
Quando nos deparamos com um design “ruim”, geralmente sentimos um desconforto, uma falta de atratividade, mas raramente sabemos apontar o que exatamente está errado. Se não sabemos identificar o problema, como podemos solucioná-lo?
É aqui que reside a importância de entender os princípios básicos do design. Conhecer a “anatomia” de um bom projeto visual te capacita a usar essas plataformas de criação com todo o seu potencial, seja para um carrossel do Instagram, um flyer de serviços, ou, como veremos a seguir, um papel timbrado
Um erro comum é a ocupação total da área, como se espaços em branco fossem proibidos. Ou um título em caixa alta, enorme e em negrito. Elementos grandes nem sempre garantem destaque; muitas vezes, perdem relevância e criam ruído visual.
Recentemente, tive a oportunidade de trabalhar com uma cliente que precisava de um papel timbrado para sua clínica. A versão que ela me enviou, criada por conta própria, era um exemplo claro de como a falta de estratégia visual pode sabotar a mensagem. As informações estavam espalhadas, sem hierarquia ou identidade definida. Em vez de transmitir confiança e profissionalismo, o material criava o efeito oposto, parecendo amador.
Uma imagem editorial conceitual que representa a confusão visual causada pela falta de hierarquia.
Elementos sobrepostos, papéis e formas abstratas espalhados sem alinhamento, competindo pela atenção. Sem um ponto focal claro.
ilustra a confusão causada pela falta de alinhamento e padronização.
Paredes, planos e elementos estruturais ligeiramente desalinhados, espaçamento irregular entre as formas, ritmo visual quebrado. Estrutura desorganizada.
Erro mais comum. À primeira vista, parece organizado, mas revela espaçamento inconsistente, proporções desiguais e pesos visuais conflitantes.
Luz natural suave, atmosfera calma, mas com uma tensão subjacente na composição.
* Ausência de identidade visual: A marca era genérica, poderia ser de qualquer um.
* Falta de hierarquia e contraste: Tudo parecia ter o mesmo peso, dificultando a leitura e a compreensão.
* Informações posicionadas sem lógica: O olhar do leitor não era guiado.
* Tipografia genérica e ilegível: Prejudicava a mensagem e a percepção de profissionalismo.
* Uso da cor sem critério: Impressão amadora, sem funcionalidade ou simbolismo.
Na nova versão do papel timbrado (no meu LinkedIn substituído pela minha apresentação e logotipo) , apliquei os princípios essenciais do design, especialmente os quatro pilares propostos por Robin Williams em “Design para Quem Não é Designer”: proximidade, alinhamento, repetição e contraste.
Este conteúdo também foi desdobrado em um carrossel visual no LinkedIn, explorando os mesmos conceitos de forma sintética e visual.